Curatoriais

AO RIO QUE AINDA EXISTE

_Por mais de 200 anos, o Riacho Pajeú foi considerado de grande importância para Fortaleza, banhando toda a cidade de vida e possibilidades, mas a intensa urbanização e a ocupação desenfreada vivida pela capital cearense trouxeram consigo danos graves ao afluxo. Mesmo tendo sofrido um processo de apagamento geográfico, a presença do corpo d’água permanece como um imaginário a disputar. É nesse contexto, em busca de percorrer os descaminhos do Riacho Pajeú, a partir de um olhar atento e sensível, que a artista visual Cecília Andrade nos convida, com sua poética, a mergulhar nessa história de ausência e destruição, cujas cicatrizes tendem a aparecer vez por outra para se tornar o símbolo complexo e inesgotável de uma existência que ainda clama. Excursão Pajeú, fruto da pesquisa de mestrado desenvolvida pela artista, nos mostra que a memória não pode ser calada, embora alguns insistam em silenciá-la. A exposição nos traz uma série de trabalhos que se apropria das mídias locativas e do discurso do turismo, como forma de tensionar o que há por trás do sumiço do rio. Aqui temos o reencontro com um passado que não lembrávamos existir; e, assim, como disse Ítalo Calvino, em As cidades invisíveis, “para descobrir quanta escuridão existe em torno, é preciso concentrar o olhar nas luzes fracas e distantes”. Ana Cecília Soares, Curadora.

 

A VIDA NA CIDADE COM UMA OBRA DE ARTE

_Tomo a liberdade de emprestar de Henri Lefebvre, em seu Writings on Cities, a frase que dá título a este texto. Faço-o porque talvez não haja palavras mais apropriadas para descrever o interesse de Cecília Andrade em conceber a cidade como experiência estética que, elevada a sua última potência, é capaz de reconciliar o sujeito com as dimensões políticas e existenciais do espaço público. A artista infiltra-se nas redes de promoção do turismo predatório e de zoneamento institucional e faz da ironia a estratégia perfeita para corroer o significado das narrativas do Urban Branding. Articulando habilmente as instâncias do visível, do dizível e do sensível entre diferentes procedimentos e tecnologias, Cecília busca reconstruir o imaginário de uma cidade viva, que se revigora a cada caminhada, a cada encontro fugaz em suas calçadas, a cada novo ângulo descoberto pelo olhar inquieto de quem se propõe a explorá-la. Por meio da uma forma rara de articular o rigor de uma pesquisadora com a sensibilidade de uma artista, Cecília mergulha nos arquivos do que um dia foi um rio e emerge de volta com uma poética que, uma vez ativada pelo contato do corpo com o espaço, reconstrói a própria cidade na medida em que caminha por ela. Cesar Baio, Orientador e curador.

 

Acadêmicos

Da artista

2018

_Capítulo de livro Caderno de Exercícios: Investigações sobre o acervo do museu de arte contemporânea do Ceará
https://issuu.com/lucasmagnata/docs/caderno_de_exerc_cios_-_investiga__

2017

_Dissertação Parque Ampliado do Pajeú: uma abordagem site-specific com uso de locative media
http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/22744

_Capítulo de livro Patrimônios Possíveis UFG
https://patrimonios-possiveis.medialab.ufg.br/14_cecilia_andrade.html

_Anais do 26° Encontro Nacional da ANPAP, Campinas, SP.http://anpap.org.br/anais/2017/PDF/PA/26encontro______ANDRADE_Cec%C3%ADlia__BAIO_Cesar.pdf

_Anais do 26° Encontro Nacional da ANPAP, Campinas, SP.

http://anpap.org.br/anais/2017/PDF/PA/26encontro______ANDRADE_Cecilia__BAIO_Cesar__MARINHO_Claudia.pdf

_Anais do #16.art, 16° Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, Porto, Portugal.

https://drive.google.com/file/d/1fh6zXjl7zyLi0nRJZWVjCIBoLWlXiZY7/view

 

Sobre a artista

2017

_Dissertação, Allan Diniz
http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/26619

_Entrevista, Roberta Souza

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/verso/uma-nova-forma-de-interagir-com-a-urbe-1.1726458 SHARE THIS: Press ThisTwitterFacebookGoogle